Se você tem diabetes, é importante que o controle da glicose no seu sangue seja feito de forma individualizada, levando em consideração a sua situação clínica. Para avaliar esse controle, alguns parâmetros são utilizados, como:
- Hemoglobina Glicada A1c (HbA1c): Este exame mostra a média dos seus níveis de glicose nos últimos 2 a 3 meses.
- Glicemias capilares ou plasmáticas: Medições da glicose no sangue feitas em horários específicos, como em jejum, antes das refeições, 2 horas após as refeições e ao deitar.
- Monitorização Contínua de Glicose (CGM): Em casos onde é utilizado esse monitoramento, outros parâmetros também são avaliados, como o tempo no alvo (TIR), o tempo em hipoglicemia, o coeficiente de variação e a glicemia média estimada.
Sobre a Hemoglobina Glicada (HbA1c)
A glicose se liga à hemoglobina no sangue, e a quantidade dessa ligação (HbA1c) indica a média dos seus níveis de glicose no sangue. A HbA1c é expressa em porcentagem e está relacionada com as complicações crônicas do diabetes.
Como as células vermelhas do sangue (hemácias) vivem cerca de 3 a 4 meses, a HbA1c reflete a glicose no seu sangue nesse período. Aproximadamente metade do resultado da HbA1c corresponde à glicose no sangue do último mês, e o restante se refere aos meses anteriores.
Valores de HbA1c próximos a 7% correspondem a uma média de glicose no sangue de aproximadamente 154 mg/dL. Os laboratórios devem usar métodos certificados para garantir que os resultados de HbA1c sejam comparáveis. Valores normais de HbA1c para adultos não grávidas são menores que 5,7%.
É importante saber que algumas condições, como anemias, problemas nos rins, gravidez e algumas doenças do sangue, podem alterar o resultado da HbA1c, fazendo com que ele não reflita com precisão a sua glicose média.
Além disso, a HbA1c não mostra as variações da glicose ao longo do dia. Pessoas com glicose muito alta e muito baixa podem ter HbA1c semelhante à de pessoas com glicose mais estável. Por isso, a HbA1c deve ser avaliada junto com as medidas de glicemia capilar e/ou os dados dos sensores de monitorização de glicose.
Metas de Controle Glicêmico
As metas de controle da glicose variam de acordo com a sua situação clínica, considerando se você é criança, adulto ou idoso. As metas para gestantes são diferentes e serão abordadas em outro texto.
Metas de HbA1c
- Para a maioria das pessoas com diabetes, a meta é manter a HbA1c abaixo de 7,0% para prevenir complicações, desde que isso não cause hipoglicemias graves e frequentes.
- Em idosos com diabetes, se você tiver boa saúde, suas metas de HbA1c devem estar entre 7,0% e 7,5%.
- Se você for idoso e tiver problemas de saúde, como doenças graves ou dificuldade de pensar com clareza, a meta de HbA1c pode ser menos rigorosa, abaixo de 8,0%, para evitar hipoglicemia.
- Para crianças e adolescentes com diabetes tipo 1, uma meta de HbA1c menos rigorosa (abaixo de 7,5%) pode ser considerada em algumas situações, como quando há hipoglicemia sem sintomas, histórico de hipoglicemia grave, dificuldade de acesso a tratamentos modernos, impossibilidade de medir a glicose regularmente ou dificuldade de perceber os sintomas de hipoglicemia.
Metas de Glicemia Capilar
- As metas de glicemia capilar (medida em jejum) geralmente são entre 80-130 mg/dL.
- A glicemia 2 horas após o início das refeições deve ser menor que 180 mg/dL.
Metas para Monitorização Contínua de Glicose (CGM)
- Se você tem diabetes tipo 1 e não está grávida, o tempo na meta glicêmica (Time in Range – TIR) deve ser superior a 70%, com a glicose entre 70 e 180 mg/dL.
- Se você for idoso ou tiver alto risco de hipoglicemia grave, uma meta de TIR de 50% pode ser aceitável.
- O tempo em hipoglicemia nível 1 (glicose < 70 mg/dL) deve ser menor que 4%.
- O tempo em hipoglicemia nível 2 (glicose < 54 mg/dL) deve ser menor que 1%.
- A variabilidade glicêmica, medida pelo coeficiente de variação, deve ser menor que 36%.
É fundamental que você converse com seu médico para definir as metas de controle glicêmico mais adequadas para o seu caso. Ele irá considerar a sua situação clínica, seu histórico de saúde e outros fatores importantes para individualizar o seu tratamento.



